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Este texto traz informações sobre o que vem a ser a dureza, formas de controla-la e também sobre a nomenclatura e testes mais utilizados.
- O que é dureza?
A dureza nada mais é que a quantidade de iões Ca2+
e Mg2+ dissolvidos na água. Quanto mais dura for a água,
maior será a concentração destes catiões.
Águas naturais são geralmente duras nas regiões
onde se encontram depósitos de calcário (CaCO3). As
águas das chuvas dissolvem o CO2 da atmosfera formando uma
solução diluída de ácido carbónico
que lentamente dissolve o calcário.
As reacções químicas envolvidas no processo de
dissolução do CO2 são:
CO 2+ H2O « H2CO3
H2CO3 « H + + HCO3
O processo de dissolução do calcário pode ser descrito pela reacção abaixo:
H + + CaCO3 « HCO3- + Ca2
O carbonato de cálcio é insolúvel em água mas o bicarbonato é solúvel, portanto, de uma maneira geral, este processo de dissolução envolve a transformação do carbonato de cálcio em bicarbonato, o mesmo ocorrendo para o caso do magnésio.
CO2 + H2O « CaCO3 + HCO3-
Esse tipo de dureza da água é conhecida como dureza
temporária (ou dureza em carbonatos) da água. Este nome
foi dado em virtude deste processo ser facilmente revertido pelo aumento
do pH como também pela elevação da temperatura
até a ebulição, ou seja, a adição
de uma base ou o aquecimento inverte a reacção acima
no sentido de formação do CaCO3.
Quando o anião presente na água dura não é
o HCO3-, a dureza é conhecida como dureza permanente pois o
processo não pode ser revertido facilmente, como por exemplo,
pela elevação da temperatura até a ebulição.
- O que os testes de dureza para aquários medem?
Basicamente existem dois testes de dureza utilizados em aquários,
um que mede a dureza total – GH - (soma das durezas permanente
e temporária) e um segundo que teoricamente mede a dureza em
carbonatos - KH.
O primeiro deles, chamado de dureza total (GH), mede a quantidade
de iões Mg2+ e Ca2+ presentes na água do aquário.
Como resultado o teste dá um número em escala numérica
que representa a quantidade destes iões em solução.
Esta escala foi convencionada da seguinte forma:
0 -5° - água muito mole
6 -10° - água mole
10-15° - água média
15-25 - água dura
O resultado também pode ser expresso por partes de CaCO3 por milhão de partes de água – ppm - (o mesmo que mg / L).
O segundo chamado de dureza em carbonatos (KH) na verdade mede a
quantidade de iões HCO3- presentes na água dando um
resultado expresso da mesma forma que o teste de dureza total. Existe
um erro de nomenclatura neste teste pois conforme explicado acima,
o valor obtido neste teste é referente a concentração
do aniões bicarbonato, que pode não ter nenhuma relação
com a dureza em carbonatos, como por exemplo:
Tomemos como base uma água com GH = 0 e KH = 0, isto quer dizer
que não temos Ca2+ e Mg2+ dissolvidos. Se adicionarmos uma
certa porção de NaHCO3 (bicarbonato de sódio)
o GH continuará sendo zero mas o KH irá aumentar. Portanto
o valor do KH encontrado não tem nenhuma relação
com a dureza em carbonatos pois a concentração de Ca2+
e Mg2+ dissolvidos continua sendo nula.
Um nome mais correto para este teste seria teste de alcalinidade ou
reserva alcalina, pois com ele é possível estimar possíveis
formações de tampões devido à existência
dos pares H2CO3/HCO3- e HCO3-/CO32-. A formação destes
tampões faz com que a variação do pH fique mais
difícil mas vamos deixar este assunto para um artigo futuro.
- Como diminuir a dureza da água.
Se a água fornecida pela companhia de saneamento da sua região
for dura e os peixes que mantêm necessitem de uma água
mole, como é o caso dos discos, existem algumas formas para
se diminuir a dureza.
A mais simples seria a utilização no aquário
da água de chuva, porém isso não é indicado
para regiões que possuem um grande tráfego de automóveis
ou perto de indústrias pois o ar costuma ser poluído.
Antes de usa-la no aquário, a água da chuva deve ser
previamente tratada com um filtro de carvão activado e lã
e ter o pH ajustado ao valor desejado. A água que sai de aparelhos
de ar condicionado e desumidificadores de ar não devem ser
usadas em hipótese nenhuma pois possuem uma grande quantidade
de fungos e bactérias.
Uma outra forma seria com o uso de turfa (Peat em inglês) no
sistema de filtração. Este material de origem vegetal
é rico em ácidos húmicos que possuem a propriedade
de se ligar com metais pesados e também com o Ca2+ e Mg2+ entre
outros. O uso de turfa faz com que a água se torne ligeiramente
ácida e adquira uma coloração amarelada.
Uma terceira forma seria com a preparação da água
através do uso de destiladores, desionizadores e também
filtros de osmose reversa que produzem uma água de óptima
qualidade, porém ainda são aparelhos muito caros e que
necessitam de manutenção periódica.
Uma quarta forma seria com a adição de EDTA (ácido
etilenodiaminotetracético) que pode ser adquirido em lojas
de produtos químicos ou farmácias de manipulação.
O EDTA é um composto que se liga à alguns catiões
(principalmente o Ca2+ e o Mg2+), da mesma forma que os ácidos
húmicos liberados pela turfa mas com a vantagem de não
interferir na coloração da água. Este composto
é sólido e deve ser administrado em pequenas porções
(ou previamente dissolvido em água) para que não traga
problemas para os peixes e principalmente para as plantas do aquário.
Dr.º Marcos A. Bizeto